quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Reflexão sobre a acostumação rotineira da vida;

Texto da Marina Colasanti de 1972.


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 22 de setembro de 2012

Muro;

Minha querida professora de Português Dri Silveira postou o texto abaixo e achei pertinente aos dias que ando (andamos) vivendo.

"Eita mundo invertido: coitado do amor nas relações, passou a ser visto como incômodo, empecilho, sinônimo de complicação. E nada mais pode ser feito exclusivamente em nome dele. Prazer sim; amor (muito visto como antagônico ao prazer), não. É desvio dos objetivos e das obrigações. De caminho, passou a ser a pedra no meio dele. Tudo culpa do amor. E tome porrada! Quem mandou nascer gente? 


Quando foi que começamos a ficar assim esquizos?

Vigiai: o amor subiu no telhado. Talvez tenha sete vidas. Talvez, uma."


E pra completar:

"Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã" - Drummond

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Todo mês conta uma história;

É, agosto já passou.
Passou bem rápido esse mês que marca meu aniversário e uma coisa curiosa pra mim, que é o único mês seguido com 31 dias. Todos são alternados com 30 e 31 dias. Mas em agosto tudo é meio novo e diferente mesmo.
Lembro de adorar as férias de julho, adorar vestir casacos e ficar em casa no aquecedor. Eu gostava muito das férias de julho porque me davam um tempo do saco que eu tinha das aulas do Arqui e eu podia jogar mais futebol e ir na casa dos meus amigos jogar videogame. Mas as férias acabavam, eu tinha que arrumar a mala, o armário e os livros e os cadernos e as pastas (gostava de uma organização até demais), tinha que comprar garrafinhas de água e eu ficava triste, só que ao mesmo tempo eu explodia de ansiedade. Ficava com dor de barriga quando entrava no carro e fazia o mesmo caminho de sempre. Era tudo tão igual...e eu adorava. Eu tinha que me acostumar com tudo de novo, já que o ano já havia começado e só tínhamos dado um tempo. Era difícil no começo, mas depois eu pegava o jeito de como lidar com aquilo novamente.

Como disse, eu parei pra pensar e o mês de agosto desse ano de 2012 foi rápido. Os dias passaram e eu vivi cada um deles.
Claro que a minha felicidade ajudou. Não foi perfeito, tenho que admitir. É difícil se acostumar com tudo de novo e muitas vezes os outros fogem ou evitam, justamente por não entender o que está acontecendo. O poder do contexto é muito grande, tenho que levar isso em conta, mas esse período pra se acostumar e ai sim ver o que está fazendo e qual a melhor maneira de se fazer (para as duas partes) é difícil e dolorido.

Agora vem esse setembro né. Vamos dançar, pular, viajar e queimar, pois a idade nos permite.

Sejamos felizes.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Stable;

"And then you came, and you came real close.You gave the heart what it wanted most."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cada relógio conta os segundos como quer;

Meia hora não muda a vida de ninguém.
Mas eu já acho que em 20 minutos tudo pode mudar (igual a Band News FM fala, isso mesmo).
Também acho que esperar os famosos "mais 5 minutinhos" é bem chato. Leve o seu tempo, sem problemas. Não tenho pressa! Só que não demore mais que 2 minutos e 40 seguntos no banheiro. Afinal eu não estou aqui pra esperar ninguém não.
São as pequenas esperas, pequenos empréstimos e pequenos erros de português que fazem qualquer um sair do sério. O grande nem sempre é o que mais importa, por que a vida- a vida meu amigo, é definida nos detalhes.

E ande logo com esse cafézinho.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Decisão;

Eu preciso de você da minha vida.
Só que eu não quero mais ficar dependendo disso.

Essa coisa toda tá fazendo mal. Muito mal. Em muitos sentidos.
Eu to indo pra trás, regredindo, me sinto atrasado quando sinto que o que eu mais preciso é só ir em frente. Não sei pra onde, mas tem que ser longe de você.
Tenho que tentar eliminar todos os pensamentos, vontades, saudades e principalmente esse amor que eu ainda tenho. Na verdade, eu sempre serei apaixonado por você. Mas eu não aguento mais.
Existem coisas que eu não preciso ficar sabendo. "Não faça perguntas sobre coisas que você não quer saber as respostas". É mais ou menos isso.

Esse mal pode estar sendo causando sem você saber, claro. Só que é bem difícil eu acreditar nisso. Sei lá, eu sempre tomei muito cuidado mesmo sabendo que você cagava pra tudo que eu fizesse. Pq você é diferente e tem esse jeito de se importar pouco.
Pode ser também que eu esteja viajando nas ideias e pirando, como eu faço com muitas coisas.

Eu penso assim: eu to indo fazer uma viagem, uma longa viagem e por mais que eu goste da sua companhia, eu tenho que fazer isso "longe" e sem você do meu lado.

Seja feliz.


"Anything other than yes is no.
Anything other than stay is go.
Anything less than I love you is lying."

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Don't say a word;

Just come over.

And lie here with me.